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Mao Tsé-tung transpôs para estratégia política e militar toda uma lógica binária da filosofia e das artes marciais chinesas em sua 'alternância repetida de operações estratégicas contrárias'. Trata-se de conquistar a iniciativa no conflito sempre 'se defender do adversários atacando seus os pontos fracos' e de sempre nas ações ofensivas, defender ainda mais os próprios pontos fortes. E nunca, jamais, defender os próprios pontos fracos e atacar os pontos fortes do inimigo. Para Mao, o importante era 'cercar' o inimigo fora do seu território, invertendo a relação de forças do paradigma o sustenta, fazendo com ele ataque nossos pontos fortes e defenda publicamente suas fraquezas. Os dialécticos de direita (como a estratégia pendular da sístole e diástole do General Golbery do Couto e Silva) também se esmeraram em observar como se aproveitar das contradições de um conflito. Porém, só recentemente, em uma estranha parceria de Platão com Freud, surgiram pensadores interessados no diálogo como uma forma de transformação dos conflitos - como a complexidade de Edgar Morin. É claro que também há os manuais de psicologia sobre tecnologia de negociação para greves sindicais, sequestros ou simplesmente de auto-ajuda; mas é bom lembrar que o essencial parece que sempre esteve presente e que sempre foi escondido: se queremos brigar (somos dialécticos) ou se queremos chegar a um acordo (e somos dialógicos) - independentemente se se é a favor da mudança ou contra ela (1). 

A própria filosofia chinesa dos opostos pode, em diversos momentos, ser tanto 'taoísta-revolucionária' como 'confusionista-conservadora' e o próprio Mao utilizou a sua mesma estratégia binária com intenções bastante diferentes antes e depois de tomar o poder. A diferença entre dialéctica e dialógica pode parecer grosseira, mas é essencial: trata-se de persuadir e explicar o mundo segundo as próprias necessidades ou de, ao contrário, compreender o adversário como parte de um conjunto; aceitar a morte como parte da vida, integrar o ruído como parte da organização do universo.


EIXO DE COMBATE

EMISSOR
RECEPTOR
Necessidades Objetivas
PERSUASÃO
XXXXXXXX
Possibilidade Subjetivas
XXXXXXXXX
PERSUASÃO

Poderíamos dizer, retomando a teoria maoista da alternância repetida de operações opostas, que, do ponto de vista discursivo, ela funciona apenas no sentido de atender as necessidades do emissor e as possibilidades do 'adversário'. Para chegarmos ao diálogo, temos que examinar também as necessidades do outro (ou seja 'atacar seus pontos fortes') e levar em conta nossa própria subjetividade (nossos 'pontos fracos'). Só assim, além de mudarmos a posição do outro, seremos também transformados por ele.


EIXO DO DIÁLOGO

EU
O OUTRO
MENTE
XXXXXXXX
COMPREENSÃO
CORPO
COMPREENSÃO
XXXXXXXXX