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O Traficante de Idéias

Assim como toda química tem sua alquimia, toda alegria tem sua mímica. Assim como toda ideologia tem sua ciência, toda consciência tem sua mania. Assim como toda magia tem sua lógica, toda ótica tem sua analogia. Assim como toda filosofia tem sua história, toda oratória tem sua poesia. E assim como todo fragmento do eu alude ao todo que pertence, todo prefácio remete ao conjunto do livro que prescreve.

Foucault fala do ‘primeiro simulacro’ e da ‘última reinscrição de si’ no jogo de duplos da obra. As ‘más línguas’ dizem que o discurso masculino é um eterno e lento introduzir. Penso que ‘prefaciar’ significa prenunciar-se, é uma preparação que antecede o ‘face-a-face’.

 Hoje não escrevo mais poemas e gosto de pensar que me transformei, tal qual Rimbauld, em um mercenário. Não apenas como jornalista ou publicitário, a quem o vil metal agencia, mas sobretudo como um traficante de idéias, um viajante da noosfera que batalha pela reforma do pensamento.

A poesia complexificou-se em vida.

Marcelo Bolshaw Gomes

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